terça-feira, 19 de julho de 2011

ESPELHO, ESPELHO MEU!

Espelho, espelho meu!


O reflexo do espelho, é uma “foto” em tempo real; encarando-o, podemos ter um parâmetro de como somos. É um objeto fascinante e atraente, pois quem resiste não olhá-lo, ou melhor, encará-lo nem que for de relance?
   Não necessariamente tem que ser um espelho, daqueles tradicionais, pode ser algo que reflete, por exemplo: uma vitrine ou um vidro de  carro,diante dos quais, ao passarmos e olharmos, podemos  conferir se as roupas estão bem alinhadas; as mocinhas conferir o bumbum, os cabelos etc..
  O espelho faz parte de nossa vida e até da  história. Quem não leu nos livros escolares que quando os portugueses por aqui aportaram, presentearam os ingênuos donos da terra com espelhos e outras bugigangas?
   Ele faz parte do imaginário popular, retratado em muitas histórias ao longo do tempo em diversas formas, tamanhos  e usos.
   Quando estamos sós e em um lugar reservado olhamo-nos mais atentamente,neste momento nos soltamos, fazemos caretas, poses, caras e bocas, até conversamos com nós mesmos; as vezes nos elogiamos, nos censuramos, nos interrogamos dos porquês disto e daquilo.
   Há momentos em que ele é nosso amigo, outros nosso inimigo, pois mostra cruelmente o quanto envelhecemos ou como poderíamos ser mais bonitos; até aquela espinha da adolescência, num dia em que não podia estar lá, é revelada.
   Também há o espelho preferido, e isto é um segredo só nosso, pois tem espelhos que talvez por sua curvatura ou polimento, nos mostram mais bonitos escondendo imperfeições, enquanto outros nos ressaltam as feições. Fugimos destes, tal qual a Medusa, e preferimos o espelho bajulador da madrasta da branca de neve.
   Outra categoria de  reflexo é o imaginário; ao idolatrar artistas, vemos neles o que queríamos ser, e talvez por isso, certas pessoas se apeguem tanto a seus ídolos e sobrepõem suas vidas sobre as deles. E ai de quem falar deles. Pois quem gosta de ver seu reflexo criticado?
  “E assim caminha a humanidade,” igual a Narcisos, debruçados na margem de seus sonhos, embevecidos pelos próprios reflexos, admirando e querendo ser admirados.
                         
A seguir, um mine conto
 

  O reflexo

Você está me seguindo?
 Por quê não responde?
Hoje cedo, no banheiro,  vi você olhando para mim.
Velha, velha!!!!! Filha da puta!!!!.
Por que está aí dentro me encarando?
Vou acabar com você.
......................................
- Volte aqui, sua velha maluca, vai ter que pagar a vitrine!
Ela nem deu resposta, saiu pulando uma ilusória amarelinha.


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