Bom dia, santidade, hoje faz sol.
Em termos comerciais e comparativamente falando, o ser humano é um produto perecível; vem com data de fabricação, mas não a de validade. Uns “longa vida” outros, de “consumo rápido”; umas pessoas com ótimos conteúdos,outras pastéis de vento.
Uma destas pessoas, com ótimo conteúdo, foi o Papa João Paulo 2°, nome assumido no inicio de seu pontificado, deixando, em segundo plano, o seu nome de batismo: Karol Józef Wojtyla, como sua vida particular, ao se tornar uma pessoa pública, ou seja, chefe da igreja católica com bilhões de seguidores.
Homem de muito carisma e influência tanto política como religiosa, não só sobre sua messe, mas também respeitado por outros credos, por sua tolerância em saber que todos estamos abaixo do mesmo DEUS; e também o de entender que os costumes de um povo o levam a certas atitudes nem sempre compreendida sob nossa ótica.
Foi um Pontífice de idéias e atos, pois varreu literalmente o planeta com sua presença marcante, enquanto sua saúde permitiu.
Em seus últimos tempos de vida; relatou a enfermeira que o acompanhava Ritia Megliorin, que o papa nunca desistiu de lutar pela vida, pois lia muitas publicações científicas sobre sua enfermidade e dizia que: para todo o problema existe uma solução.
Batalhou pela vida até o fim, dando exemplo de fé e perseverança, uma de suas marcas, forjadas ao longo de sua longa existência.
Logicamente, teve seus momentos de dúvidas; pois se até Cristo as teve ( Pai, pai, por que me abandonaste?), por que não ele, um simples humano, com todos os defeitos e medos que já nascem embutidos conosco?
Lembra Ritia que, ao amanhecer antes de descerrar as cortinas e abrir as janelas, sabia que o Papa já estava acordado desde há muito, pois era costume daquele homem começar a rezar bem antes do raiar do sol; saudava-o dizendo: - Bom dia, santidade, hoje faz sol.
Ele gostava de dias de sol e também de ouvir o som da cantilena vinda lá de fora de pessoas a orarem e cantarem pelo seu restabelecimento.
Em seu último dia de vida, o som da cantilena se tornou mais intenso e ela preocupada dirigiu-se ao cardeal Dziwisz perguntando se o som não estaria incomodando o Papa. Ele levou-a até a janela e disse: Ritia, estes são os filhos que vieram se despedir do pai.
O Papa João Paulo 2°, foi um grande homem do século 20, um longo século de duas guerras mundiais, muitas tragédias, transformações, progressos, intolerâncias, descobertas e conquistas.
Posso estar errado, mas na minha opinião, o século 20 foi um divisor de águas na história da humanidade; e quem dera um dia toda a humanidade tenha as qualidades daquele homem e possa dizer a outro ao raiar do dia: BOM DIA, AMIGO, HOJE FAZ SOL.
Escrito por: LUIZ CARLOS CARDOSO
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