sexta-feira, 1 de julho de 2011

A perseguida

A perseguida

  Todos que passavam a olhavam. As mulheres davam menos atenção, mas os homens olhavam-na com olhos interessados e até com bocas salivantes e em ato contínuo, engoliam a saliva do desejo.
  E ela, indo devagar, parecia se exibir, provocando os desejos dos passantes, naquele fim de tarde bonito, onde o avermelhado dos raios oblíquos do sol parecia dar o acabamento, como se fosse um programa de photo shop, encobrindo eventuais imperfeições. E ela ali desfilando em câmera lenta.
  Sua roupagem vermelho- encarnada excitava, e a imaginação comum fluía.
  Como seria possuí-la? Como seria entrar dentro dela?
  Mas o que fazer? Só podiam olhar e olhavam-na atentamente.
  De frente era linda; e a traseira, ahaa... a traseira, humm... maravilhosa. Nunca naquela cidade, uma beleza daquela fora vista. Que estaria fazendo ali? Cochichavam alguns admiradores.
  Literalmente, a rua parou, em clara reverência, como se só ela tivesse o direito de mover-se, e movia-se grácil e silenciosa sob olhares licenciosos.
  Um metido a sabido, disse: é estrangeira.
  O barbeiro baiano, na porta do salão, com a navalha com resto de espuma do rosto do freguês exclamou, parafraseando o italiano, dono do armazém ao lado:mama mia, e completou: só pode ser das estranjas, por aqui não se encontra uma beleza desta.
  De repente, um  baque surdo veio de onde ela estava. Ela estava parada,  gemia e até "urrava," mas não conseguia mover-se. Logo um batalhão de homens solícitos, correu em socorro. Ao chegarem lá, alguns estavam sem jeito, até encabulados por oferecerem seus préstimos. Os mais atirados, limparam as mãos nas roupas e tentaram erguê-la encorajando os demais que, após rodéa-la, ergueram-na e a tiraram daquela situação embaraçosa.
  Muitos homens e principalmente as mulheres olhavam zombeteiros e com ar de bem-feito, enquanto a Ferrari e o motorista partiam, sem ao menos, agradecer por serem libertados do quebra- molas.
    

     Escrito por : L.C.C do B.D.C
Publicado em 2009

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